A inadimplência do aluguel no Brasil caiu para 2,93% em setembro de 2026, atingindo o menor nível desde o início da série histórica do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica, em abril de 2023.
O resultado representa uma melhora no mercado de locação. Entretanto, os números revelam uma diferença importante: enquanto a média nacional recua, os imóveis com aluguéis mais baixos continuam apresentando taxas de inadimplência significativamente maiores.
Para os proprietários, o cenário reforça a importância de acompanhar os contratos e adotar estratégias que contribuam para a segurança dos recebimentos.
O que explica a queda da inadimplência do aluguel em 2026?
Segundo levantamento da Superlógica, divulgado pelo InfoMoney, a taxa nacional caiu de 3,11% em agosto para 2,93% em setembro de 2026.
Na comparação com setembro de 2025, quando o índice estava em 3,80%, a redução foi de 0,87 ponto percentual.
O estudo considera informações anonimizadas de mais de 1 milhão de locatários em todo o país.
Para compreender esses resultados, é importante observar a metodologia. O indicador considera pagamentos que permanecem em aberto por mais de 60 dias ou que foram quitados com atraso superior a esse período.
Portanto, o índice não representa todos os atrasos pontuais de aluguel.
A redução também acontece em um contexto de diminuição da proporção de famílias brasileiras com contas em atraso, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Embora esses movimentos sejam positivos, os levantamentos não permitem identificar uma única causa para a melhora no pagamento dos aluguéis.
Aluguéis mais baratos continuam apresentando maior inadimplência
Um dos pontos que mais chamam a atenção no levantamento é a diferença entre as faixas de preço.
Nos imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1.000, a inadimplência chegou a 7,41% em setembro. Já nos imóveis residenciais da mesma faixa, o índice ficou em 5,99%.
Ambos os resultados estão acima da média nacional.
| Segmento | Inadimplência em setembro |
|---|---|
| Média nacional | 2,93% |
| Imóveis comerciais de até R$ 1.000 | 7,41% |
| Imóveis residenciais de até R$ 1.000 | 5,99% |
| Imóveis residenciais de R$ 2 mil a R$ 3 mil | 1,72% |
O que esses números mostram?
Mesmo quando o valor do aluguel é menor, o pagamento pode representar um comprometimento importante do orçamento do locatário.
A relação entre renda, despesas e capacidade de pagamento precisa ser considerada na avaliação dos riscos de cada contrato.
O levantamento também aponta taxas elevadas em determinadas faixas de aluguéis de alto valor. Isso demonstra que a inadimplência não diminui necessariamente à medida que o preço do imóvel aumenta.
Aluguéis continuam subindo mesmo com a queda da inadimplência
A redução dos atrasos ocorre em um momento em que os preços anunciados de locação residencial continuam avançando.
Segundo o Índice FipeZAP de setembro de 2026, os aluguéis residenciais anunciados acumularam alta de 9,13% nos últimos 12 meses.
No mesmo período, a inflação oficial medida pelo IPCA ficou em 4,58%.
Isso significa que os preços anunciados para novas locações cresceram em ritmo superior ao da inflação.
Entretanto, é importante diferenciar os indicadores.
O FipeZAP acompanha os valores pedidos em anúncios de imóveis residenciais, enquanto a Superlógica analisa a inadimplência nos pagamentos de locação.
Dessa forma, o aumento dos preços anunciados não significa, necessariamente, que a inadimplência também aumentará.
Esse cenário já havia sido abordado pela Sinai no artigo sobre a alta dos aluguéis acima da inflação em 2026.
E como está o mercado de locação no Rio de Janeiro?
No Sudeste, a inadimplência recuou de 2,86% em agosto para 2,76% em setembro de 2026.
A região apresentou a única queda mensal entre as cinco regiões brasileiras analisadas.
Esse resultado é positivo, mas não deve ser interpretado como uma taxa específica do estado ou da cidade do Rio de Janeiro.
Ao observar os preços anunciados, porém, o mercado carioca apresenta um movimento relevante.
Segundo o FipeZAP, os valores anunciados de locação residencial no Rio de Janeiro acumularam alta de 14,80% nos 12 meses encerrados em setembro de 2026.
O percentual ficou acima da média de 9,13% registrada pelo índice nacional.
Para quem possui um imóvel destinado à locação na cidade, especialmente na Zona Norte, esse cenário reforça a importância de acompanhar os preços praticados no mercado, a capacidade de pagamento dos interessados e as condições dos contratos.
A valorização anunciada dos aluguéis pode representar oportunidades, mas o proprietário também precisa considerar os riscos de vacância e inadimplência.
Como os proprietários podem reduzir os riscos de inadimplência?
Mesmo com a melhora dos indicadores nacionais, a prevenção continua sendo fundamental para uma locação bem administrada.
Entre as medidas que merecem atenção estão:
- Análise de crédito: avaliar as informações cadastrais e a capacidade de pagamento do interessado, respeitando critérios objetivos e a legislação.
- Garantias locatícias: conhecer modalidades como o seguro fiança e verificar suas coberturas, condições e limitações contratuais.
- Acompanhamento dos pagamentos: monitorar vencimentos, identificar atrasos recorrentes e manter uma comunicação organizada com o locatário.
- Avaliação do preço do aluguel: considerar características do imóvel, valores praticados na região e sustentabilidade financeira da locação.
Essas medidas não eliminam completamente o risco, mas contribuem para uma administração mais organizada e preventiva.
Outro ponto importante é a escolha da garantia locatícia. Conforme abordamos em nosso artigo sobre o crescimento do seguro fiança em 2026, esse mercado vem ganhando espaço entre as alternativas de proteção dos contratos.
A escolha deve considerar as condições oferecidas, a cobertura e o perfil da locação.
O que a queda da inadimplência significa para o futuro do mercado?
O menor índice da série histórica representa um resultado favorável para o setor de locação.
Entretanto, ainda não é possível afirmar que a inadimplência continuará caindo nos próximos meses.
As diferenças entre os segmentos, as pressões sobre o orçamento das famílias e o avanço dos preços anunciados indicam que o mercado continua exigindo atenção.
Para os proprietários, a principal lição é que um cenário nacional positivo não substitui o acompanhamento individual de cada contrato.
Mais do que observar o valor anunciado de um imóvel, é necessário considerar a regularidade dos pagamentos, a segurança contratual e a continuidade da renda.
Administrar um imóvel é também proteger sua renda
A redução da inadimplência do aluguel para 2,93% em setembro de 2026 mostra uma evolução positiva, mas a segurança de uma locação depende de decisões que começam antes mesmo da assinatura do contrato.
Na Sinai Imobiliária, entendemos que uma boa administração envolve organização, transparência, acompanhamento e atenção às necessidades dos proprietários e locatários.
Com atuação no mercado imobiliário desde 1978, buscamos oferecer soluções que contribuam para relações de locação mais seguras e eficientes.
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Perguntas frequentes sobre a inadimplência do aluguel
1. Qual foi a taxa de inadimplência do aluguel em setembro de 2026?
A inadimplência do aluguel no Brasil chegou a 2,93% em setembro de 2026, segundo o Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica. Foi o menor resultado desde o início da série histórica, em abril de 2023.
2. O que é considerado inadimplência no levantamento da Superlógica?
O indicador considera pagamentos de aluguel que permanecem em aberto por mais de 60 dias ou que foram realizados com atraso superior a esse prazo. Por isso, não inclui necessariamente todos os pequenos atrasos.
3. Quais imóveis apresentam as maiores taxas de inadimplência?
Em setembro de 2026, os imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1.000 registraram taxa de 7,41%. Entre os imóveis residenciais da mesma faixa de preço, o índice foi de 5,99%, ambos superiores à média nacional.
4. A queda da inadimplência significa que o preço do aluguel também vai cair?
Não. Os indicadores medem aspectos diferentes. Enquanto a inadimplência diminuiu, os preços anunciados para novas locações residenciais acumularam alta de 9,13% em 12 meses, segundo o FipeZAP.
5. Como um proprietário pode se proteger contra a inadimplência do aluguel?
O proprietário pode reduzir sua exposição aos riscos por meio de análise de crédito, escolha adequada da garantia locatícia, acompanhamento dos pagamentos e administração profissional. A proteção efetiva depende das condições de cada contrato.
Fontes consultadas: InfoMoney, reportagem de 21 de outubro de 2026 com dados do Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica; Índice FipeZAP de Locação Residencial, informe de setembro de 2026; Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic/CNC), conforme dados apresentados na reportagem.
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