Casal analisando documentos de financiamento e planejando a entrada do imóvel popular

Comprar a casa própria continua sendo o objetivo de muitos brasileiros. No entanto, um obstáculo aparece antes mesmo da aprovação do financiamento: conseguir juntar o dinheiro necessário para a entrada do imóvel popular.

Um levantamento realizado a partir de simulações na plataforma Morada.ai, divulgado pelo portal Portas em outubro de 2026, revelou que 31% dos interessados em imóveis populares não possuem nenhum valor disponível para a entrada.

A dificuldade também aparece entre aqueles que conseguiram economizar. Nesse grupo, a mediana dos recursos disponíveis representa apenas 1,3% do preço do imóvel, percentual muito inferior aos 20% frequentemente utilizados como referência nos financiamentos habitacionais.

Os resultados mostram como a distância entre a intenção de comprar e a capacidade de financiar pode representar um desafio para famílias que desejam conquistar a primeira moradia.

O financiamento imobiliário permite dividir o pagamento de um imóvel em parcelas ao longo de vários anos. Entretanto, normalmente o banco financia apenas parte do valor da propriedade.

A diferença precisa ser coberta pelo comprador, utilizando recursos próprios, FGTS ou outros benefícios disponíveis, conforme as condições de cada operação.

Segundo os dados divulgados pelo Portas, o imóvel considerado nas simulações custa, em média, R$ 298 mil. Entre os interessados que possuem algum recurso para a entrada, o valor mediano disponível equivale a aproximadamente R$ 3.874.

Para entender a diferença, basta considerar uma compra hipotética com entrada de 20%.

Nesse cenário, um imóvel de R$ 298 mil exigiria R$ 59.600 de entrada. Um comprador com R$ 3.874 disponíveis ainda precisaria conseguir outros R$ 55.726 para atingir esse valor.

O percentual efetivamente exigido pode variar conforme a modalidade de financiamento, o perfil do comprador, a avaliação do imóvel e as regras da instituição financeira.

O levantamento também identificou que apenas 3,1% dos interessados analisados possuem recursos equivalentes a pelo menos 20% do preço do imóvel.

É importante observar que os resultados se referem às simulações realizadas na plataforma, não necessariamente a todos os brasileiros que procuram imóveis populares.

A dificuldade para juntar a entrada também varia entre gerações

A capacidade de acumular dinheiro para a compra de um imóvel não é igual entre todas as faixas etárias.

Uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, realizada para a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), identificou diferenças importantes entre gerações.

Entre os entrevistados com renda mensal superior a R$ 2,5 mil, apenas 3% das pessoas da geração Z possuíam R$ 100 mil ou mais disponíveis para a entrada de um imóvel.

Esse percentual aumentava para 18% entre os millennials, 33% na geração X e 40% entre os baby boomers.

Os números evidenciam diferenças na disponibilidade de recursos acumulados entre grupos geracionais.

Para compradores mais jovens, especialmente aqueles que ainda estão construindo sua estabilidade financeira, reunir a quantia inicial pode exigir um período maior de planejamento.

É possível comprar um imóvel sem ter toda a entrada?

Sim, existem alternativas que podem reduzir a necessidade de dinheiro próprio na compra de um imóvel. Entretanto, a disponibilidade depende das condições de financiamento, da renda familiar e das características da propriedade.

Uma das possibilidades é o programa Minha Casa, Minha Vida, que oferece condições diferenciadas de acesso ao crédito habitacional.

Conforme as regras vigentes em 2026, o programa contempla famílias com renda mensal bruta de até R$ 13 mil na modalidade urbana financiada.

Para famílias com renda de até R$ 5 mil, os subsídios podem chegar a R$ 55 mil no Rio de Janeiro, dependendo do enquadramento e das condições aplicáveis.

Esses benefícios podem diminuir o valor financiado e, em determinadas situações, reduzir ou até eliminar a necessidade de entrada com recursos próprios.

Isso não significa, porém, que todas as famílias terão direito ao valor máximo ou conseguirão financiamento sem entrada.

O FGTS pode ajudar a pagar a entrada do imóvel?

Outra possibilidade é utilizar o saldo disponível no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Segundo a Caixa Econômica Federal, o FGTS pode ser utilizado para compor a entrada de um financiamento habitacional, desde que o trabalhador e o imóvel atendam aos requisitos estabelecidos.

Entre as condições gerais estão possuir pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS, não ter financiamento ativo no Sistema Financeiro da Habitação e observar as restrições relacionadas à propriedade de outro imóvel residencial.

Para quem possui saldo acumulado, essa alternativa pode representar uma redução significativa do valor que precisa ser economizado.

Entrada parcelada pela construtora: como funciona?

Outra solução encontrada no mercado imobiliário é o chamado pró-soluto, modalidade em que a construtora ou incorporadora permite o pagamento de parte do preço diretamente a ela.

Na prática, isso pode possibilitar o parcelamento de uma parcela da entrada, inclusive durante a construção de empreendimentos vendidos na planta.

Apesar de facilitar o acesso inicial, essa opção exige atenção.

O comprador pode precisar pagar simultaneamente as parcelas negociadas com a construtora, os encargos previstos no contrato e, conforme a etapa da operação, outras despesas relacionadas ao financiamento.

Por isso, uma entrada parcelada não deve ser confundida com uma entrada gratuita ou com uma redução automática do preço do imóvel.

Antes de assumir esse compromisso, é essencial compreender o calendário de pagamentos, as possíveis correções monetárias e o impacto das parcelas no orçamento familiar.

Como se preparar financeiramente para comprar o primeiro imóvel?

A dificuldade para pagar a entrada não significa necessariamente que o projeto de comprar a casa própria precisa ser abandonado.

Com planejamento e conhecimento das alternativas disponíveis, é possível estabelecer um caminho mais adequado à realidade financeira de cada família.

Alguns cuidados são importantes:

  1. Defina um valor de imóvel compatível com sua renda. Considere não apenas o preço anunciado, mas também as despesas mensais que terá depois da compra.
  2. Consulte seu saldo do FGTS. Verifique se possui recursos disponíveis e se atende às condições para utilizá-los.
  3. Faça uma simulação de financiamento. Compare o valor da entrada, as parcelas, os juros e o custo efetivo total da operação.
  4. Verifique a possibilidade de subsídios. Avalie o enquadramento nas modalidades do Minha Casa, Minha Vida e em eventuais programas habitacionais complementares.
  5. Reserve dinheiro para despesas adicionais. Custos com ITBI, registro, documentação e mudança também devem fazer parte do planejamento.

Essas medidas ajudam a transformar a intenção de comprar em um planejamento financeiro mais concreto.

Para aprofundar o assunto, confira também nosso conteúdo sobre como financiar um imóvel em 2026 e aumentar suas chances de aprovação.

O que esse cenário revela sobre o mercado imobiliário?

Os dados apontam para uma questão importante: possuir renda para pagar as prestações não significa necessariamente ter conseguido acumular dinheiro suficiente para iniciar um financiamento.

Essa diferença pode dificultar a decisão de compra e aumentar a importância de soluções habitacionais que considerem a realidade financeira das famílias.

Para o mercado imobiliário, o desafio envolve encontrar alternativas que facilitem o acesso à moradia sem comprometer a capacidade de pagamento dos compradores.

Nesse contexto, programas habitacionais, uso do FGTS, simulações financeiras e orientações transparentes ganham relevância.

Mais do que encontrar um imóvel compatível com o orçamento, é fundamental compreender todas as condições necessárias para realizar uma compra segura.

Comprar seu primeiro imóvel exige planejamento e orientação

A pesquisa reforça que a entrada do imóvel popular continua sendo uma barreira relevante para muitos compradores.

Entretanto, conhecer as modalidades de financiamento disponíveis e compreender as condições de pagamento pode ajudar a identificar oportunidades compatíveis com cada perfil.

Na Sinai Imobiliária, acreditamos que a compra de um imóvel deve ser acompanhada de informação clara, segurança e orientação em cada etapa.

Se você está planejando conquistar a casa própria no Rio de Janeiro, conheça a Sinai Imobiliária e converse com nossa equipe para encontrar opções alinhadas aos seus objetivos.

Mais que imobiliária, criamos relações.

O valor depende do preço do imóvel, da modalidade de financiamento e da análise de crédito. Em uma operação que exige 20% de entrada, por exemplo, um imóvel de R$ 250 mil demandaria R$ 50 mil. Outras condições podem ser aplicáveis.

2. É possível financiar um imóvel sem dinheiro para a entrada?

Em determinadas situações, sim. Subsídios habitacionais e recursos do FGTS podem reduzir ou até eliminar a necessidade de entrada própria, dependendo das regras e da aprovação do financiamento.

3. Posso utilizar o FGTS para pagar a entrada do imóvel?

Sim. A Caixa permite utilizar o FGTS na entrada de financiamentos imobiliários, desde que o trabalhador, a operação e o imóvel estejam enquadrados nas condições exigidas.

4. O Minha Casa, Minha Vida ajuda quem não tem dinheiro para a entrada?

Sim. O programa oferece subsídios e condições diferenciadas para famílias elegíveis. O benefício pode diminuir o valor necessário para a entrada, mas não é garantido para todos os compradores.

5. Vale a pena parcelar a entrada diretamente com a construtora?

Pode ser uma alternativa, desde que as parcelas sejam compatíveis com o orçamento e todas as condições contratuais estejam claras. É importante avaliar o valor total devido, possíveis reajustes e a existência de pagamentos simultâneos.

Fontes: Portas, Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal.