Sarampo em condomínio – O que fazer?

20.ago, 2019 |
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Comunicação clara e rápida entre síndicos, moradores e zeladores é chave para proteger a comunidade

O seu condomínio pode colaborar para prevenir ou alastrar o surto do sarampo, que chegou a 1.226 casos confirmados no Brasil, crescimento de 35% em dez dias, segundo o Ministério da Saúde.

Altamente contagioso – um doente pode transmitir, em média, para 18 pessoas – o sarampo requer medidas rápidas para não se espalhar.

Isso significa que uma pessoa doente, sozinha, pode fazer o vírus chegar a pelo menos todos os vizinhos do mesmo andar.

Campanha de conscientização para condôminos

Prepare um cartaz para você fazer uma campanha de conscientização no seu condomínio. Use este cartaz para avisar seus moradores sobre como devem proceder em caso de suspeita ou confirmação do sarampo

Responsabilidade dos moradores 

A primeira medida que uma pessoa com suspeita ou confirmação da doença deve fazer é comunicar imediatamente ao síndico, zelador ou administradora.

Embora esteja previsto na maioria dos regulamentos internos a comunicação de qualquer doença infectocontagiosa, raramente os moradores se atentam à importância dessa ação.

“Primeiro, eles não reportam por vergonha, por receio de serem discriminados”, opina a síndica profissional Carla Gabriela Rocha.

Síndicos e zeladores podem facilmente contornar essa resistência inicial do morador infectado assegurando que a identidade dele será preservada ao notificar a comunidade a respeito do caso confirmado da doença no condomínio.

Síndico: como proceder em caso de suspeita ou confirmação de sarampo

Ao saber de uma suspeita ou caso confirmado da doença, o síndico deve avisar o mais rápido possível todos os moradores e funcionários a respeito para que tomem os cuidados ou medidas necessárias para se protegerem.

Para esse tipo de situação, prepare um outro cartaz para você avisar moradores sobre a ocorrência da doença em seu condomínio

Risco de vida no condomínio

Por se alastrar com muita facilidade e ser letal, não há outro caminho a não ser informar. “Assim o condomínio poderá tomar as medidas cabíveis para resguardar o maior número de moradores possível. Comunicando, a pessoa doente poderá salvar vidas”, enfatiza a síndica profissional.

médica infectologista Ana Carolina Marcos reforça a medida.

“Pode haver vizinhos no condomínio que estão fazendo quimioterapia, mulheres grávidas, bebês com menos de 6 meses e pessoas com problemas de imunidade que não podem tomar a vacina e precisam consultar o médico para tomar as providências. Quanto antes o doente avisar, melhor a chance de proteger os demais moradores.”

Caso real – Condomínio “infectado” recebe equipe de vacinação  

Houve um caso confirmado da doença em um dos condomínios em que Carla é síndica, no bairro de Vila Prudente, em São Paulo, cidade que concentra 99,5% dos casos. Ela recebeu uma notificação da Unidade Básica de Saúde da região, que foi informada pelo pronto-socorro onde o morador foi diagnosticado.

A determinação do órgão foi fazer uma “operação limpeza”, ação de vacinação em que uma equipe vai até o local e vacina todas as pessoas que ocupam o empreendimento.

“O agendamento foi rápido e a ação aconteceu em um sábado, das 9 às 16 horas. A adesão foi boa, mas quem não foi voluntariamente, a equipe foi até o apartamento para vacinar e para quem se recusou, a orientação era assinar um termo de responsabilidade. A prefeitura está fazendo um bom trabalho”, relata Carla.

Como a equipe disse que a varredura deveria ser feita em 9 quarteirões, Carla incluiu na ação outros dois condomínios das proximidades dos quais também é síndica.

Devido ao elevado aumento no número de ocorrências, a Prefeitura de São Paulo suspendeu as ações em condomínios com casos confirmados e a orientação é que os moradores se dirijam à Unidade Básica de Saúde mais próxima para se vacinar.

Outras formas de alertar os condôminos

Além dos cartazes citados acima, é válido usar outras formas e canais de comunicação para atingir a totalidade dos moradores. A síndica profissional Carla Gabriela, por exemplo, usa o aplicativo do condomínio para enviar comunicados aos moradores. Para a vacinação, não foi diferente.

“Fizemos o primeiro comunicado com quatro dias de antecedência, e um reforço no dia da vacinação, avisando que a equipe de saúde já estava nas dependências do condomínio.”

A administradora também apoiou a ação, elaborando o comunicado impresso com protocolo, distribuído a todos os moradores, que deveriam assiná-lo assegurando ciência da notificação.

Administradoras

Ações preventivas também estão sendo feitas por administradoras para auxiliar síndicos e condomínios.

Karina Nappi, gerente na área de administração de condomínios, conta que elaborou um display para disponibilizar em elevadores e quadros de avisos com orientações de prevenção e cuidados.

O material será distribuído para todos os condomínios que administra na zona Sul da capital paulista –  até o momento, sem ocorrências.

Campanha de vacinação permanente do SUS

A tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) faz parte do Programa Nacional de Imunização do SUS (Sistema Único de Saúde) e está disponível durante todo o ano na rede municipal de saúde.

A vacina deve ser aplicada em duas doses a partir de um ano de vida da criança até 29 anos de idade. Pessoas de 30 a 59 anos (nascidos a partir de 1960) devem receber uma dose.

A vacina é contraindicada para mulheres grávidas e indivíduos imunossuprimidos.

  • Em São Paulo, a Campanha Intermunicipal de Vacinação Contra o Sarampo, dirigida a crianças entre 6 meses e 11 meses e 29 dias e pessoas entre 15 e 29 anos, acontece nas cidades de São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Osasco e Guarulhos. Embora esteja previsto o seu encerramento na sexta-feira, 16/8, todas as pessoas que ainda não se vacinaram podem se dirigir ao posto de saúde mais próximo.

E fica o alerta: todas as pessoas devem manter sua carteira de vacinação atualizada. Na dúvida, compareça ao posto de saúde mais próximo munido de sua documentação e peça orientação.

Sintomas do sarampo

A infectologista Ana Carolina Marcos explica que os sintomas clássicos do sarampo são febre mais tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite.

Passados 2 a 4 dias desse início de sintomas, surgem manchas vermelhas no corpo, começando atrás da orelha e cervical, espalhando para rosto e tronco. Antes do aparecimento das manchas na pele, podem aparecer pequenas manchas brancas (koplik) na mucosa bucal.

Pessoas que já se vacinaram podem apresentar os sintomas mais fracos e devem se atentar, pois a doença pode passar despercebida.

Independentemente se o diagnóstico foi clínico ou laboratorial, a pessoa com quadro leve deve fazer repouso domiciliar, hidratar-se, tomar remédios para os sintomas e evitar circular – neste caso, usar máscara cirúrgica.

“A pessoa infectada para de transmitir a doença após cinco dias do aparecimento das manchas vermelhas, estando liberada para circular”, orienta Ana Carolina.

Sinal de alerta para a gravidade da doença é a persistência de febre por mais de três dias após o aparecimento das manchas vermelhas, confusão mental, vômitos e convulsão. “Neste caso, deve procurar atendimento médico e pode ser necessária internação.” A confirmação da doença é feita pela sorologia ou exame PCR.

Via SíndicoNet – Por Catarina Anderáos, SíndicoNet – Fontes consultadas: Karina Nappi (gerente de condomínio), Carla Gabriela Rocha (síndica profissional), Ana Carolina Marcos (infectologista), Prefeitura Municipal de São Paulo.

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